Aqui vou referir as várias etapas de evolução, quer de materiais, cores e formas a que a Vista Alegre sofreu, adaptando-se até aos dias de hoje.
A empresa nasceu em 1824, foi fundada em Portugal, é a perfeita porcelana assim descrita pelos Ingleses e coleccionadores a nível mundial.
O seu fundador, José Ferreira Pinto Basto e a sua família.
Após cinco anos, mais precisamente em 1829 recebia o prémio de título Real Fábrica um reconhecimento pela sua arte e sucesso industrial.
Para a manufactura das porcelanas ainda decorreu um longo período de aprendizagem, atendendo a que era uma indústria nova no País e a dificuldade de encontrar matérias-primas necessárias.
Podemos constatar que as primeiras peças estiveram presentes, no pavilhão da Vista Alegre na Exposição Internacional de 1865.
Mesmo com o acesso às fórmulas correctas, o problema da produção de porcelana ainda não estava resolvido. Para a produção de porcelana era essencial uma argila capaz de suportar a fusão dos componentes: o caulino, que não se encontrava em Portugal em quantidade suficiente para manter o funcionamento de uma fábrica.
Em 1832 um golpe de sorte predestina a produção de porcelana em Portugal ao sucesso. É encontrado um jazigo de caulino e este estava situado em Aveiro, próximo de Ílhavo, o que tornava o seu transporte relativamente fácil.
O Fundador contrata, entretanto, artífices e operários especializados empenhado em produzir porcelana de qualidade e constrói mais fornos adequados.
Era o início de uma longa tradição portuguesa de arte em porcelana, sendo que a fábrica já empregava, nessa altura, 125 operários neste ofício.
A partir dessa data a Fábrica intensificou o trabalho e dedicou-se ao aperfeiçoamento da porcelana, conhecendo um período áureo, que culmina em finais do século XIX.
A contribuição de artistas estrangeiros, como Victor C. Rousseau, foi importante, sobretudo para a criação de uma escola de pintura ainda hoje famosa.
Neste período da história da Vista Alegre assinalam-se factos como o desenvolvimento de uma obra social, a introdução de decorações a ouro e temas com paisagens e delicadas flores.
Em 1851, as porcelanas da Vista Alegre são expostas no Cristal Palace, em Londres, com grande sucesso.
Em 1852, D. Fernando II visita a Fábrica e encomenda uma baixela completa.
Na Exposição Universal de Paris de 1867 a Vista Alegre recebe pela primeira vez um prémio universal.
À medida que crescia a qualidade da porcelana produzida na VA, menos atenção era dispensada ao vidro e cristal, tendo sido interrompida a sua produção definitivamente em 1880.
Pode-se constactar que o aspecto exterior da primeira loja da Vista Alegre em Lisboa ano de 1924, já demonstrava que esta mesma empresa tinha uma grande e unica preocupação, o consumidor final.
A Real Fábrica da Vista Alegre começou por fabricar vidro enquanto empreendia empenhados esforços para a produção da porcelana.
Assim sendo os primeiros ensaios conseguidos foram de porcelana imperfeita, de pasta mole, chamada loiça “pó de pedra”.
A Fábrica dá os seus primeiros passos em direcção á porcelana perfeita através das suas boas relações com a prestigiada fábrica Francesa Sévres, conseguindo apurar as receitas das composições da pasta e do vidro.
A EVOLUÇÃO DA MARCAA evolução do logótipo da marca evolui desta forma:
Neste período da história a evolução das decorações nas porcelanas dá-se desta seguinte maneira:
A introdução de decorações a ouro e temas com paisagens e delicadas flores.
Uma das jarras de colecção é de uma imagem a representar Dona Maria Pia no ano de 1878, pintada por Joaquim José de Magalhães.
Outra jarra de porcelana da autoria de Cândido da Silva do ano de 1917-1921.
Começaram então as decorações com flores policromadas ano de 1869-1893.
Um dos pratos mais famosos é o que fabricado com a pasta de “pó de pedra” do pintor João Maria Fabre do ano de 1824-1829.
É notória a pintura decorativa com pintura a ouro e decorações delicadas de frutos nos anos 1853-1868, para o final do Esplendor do Ouro.
A arte da pintura em cerâmica deu-se por volta de 1853 para a frente, fase que caracterizou ao nível estético pelo lirismo e as delicadezas das decorações.
Por volta de 1870 a 1880, foi um perío¬do extremamente difícil com muitas dificuldades, trazidas não só pela escas¬sez de novos modelos e decorações, falta de capital para novos investimentos, e grande ausência de uma boa gestão co¬mercial. Destacou-se a notável acção pe-dagógica de Joaquim José Oliveira que com determinação, manteve o nível ar¬tístico dos pintores da Fábrica dando um novo impulso ao desenho à pena.
A arte nova tem início por volta do ano de 1881-1921, com algumas dificuldades infligidas pela Primeira Guerra Mundial, a crise aprofundou-se durante um período de quatro décadas, porém o pintor Duarte Magalhães, que conseguiu manter em funcionamento a Escola de Desenho e Pintura, perpetuando a tradição de qualidade artística da Fábrica.
O Ressurgimento foi um tempo de reestruturação e reconstrução. O novo administrador João Teodoro Pinto Basto aceitou os desafios do seu tempo, dinamizou o fabrico e renovou serviços e instalações, ampliou mercados. Em paralelo ao desenvolvimento produtivo e tecnológico assistiu-se a uma importante renovação artística.
A Expansão com a consolidação da capacidade tecnológica, obtida através de reapetrechamento de maquinaria e desenvolvimento no sector laboratorial, verificou-se uma expansão no fabrico como um grande desenvolvimento na capacidade de exportação.
Neste período a Vista Alegre entrou em uma nova época. A Fábrica, chegada á sua maturidade dá assistência a outras fábricas europeias.
È instaurada a tradição de peças únicas de enorme qualidade e prestigio, desenvolvidas para grandes personalidades a nível mundial desde 1947 – 1968.
Algumas das peças exclusivas que pertencem ao Museu VA.
A dura prova, prosseguem as modernizações e ampliação dos meios produtivos e instalações. Em 1983 foi organizado o gabinete de Orientação Artística (GOA) e em 1985 criou-se o Centro de Arte e Desenvolvimento da Empresa (CADE) com o objectivo de controlo de qualidade e fomento de novos modelos e decorações.
Desde 1997 até aos dias de hoje a Fábrica de Porcelana Vista Alegre é um dos seis maiores produtores do mundo, ocupando o lugar de Honra na porcelana Portuguesa.
Serviço de chã e café de Álvaro Siza Vieira e aspecto actual de um espaço comercial da Vista Alegre.
Posso concluir que a marca Vista Alegre, acompanhou com muita elegância e uma óptima atitude a evolução dos tempos sem se deixar amedrontar pelos obstáculos e dificuldades, sendo inovadora, apostaram na formação, acima de tudo mantiveram, o perfeccionismo e a óptima qualidade.
Por isto mesmo a Vista Alegre manteve-se entre as seis melhores empresas produtoras de porcelana a nível mundial.
Quando estou fora do meu País e ouço o nome Vista Alegre, valorizado e a distinguir-se, a ser apreciado por coleccionadores internacionais, ”O meu orgulho em ser Portuguesa cresce a 500%”.